15.10.16

as pessoas vivem nas montanhas das suas vidas. estão no topo. olham cá para baixo e vêem todas as luzes de casas alheias, projecções no vidro das janelas e pouco mais que o olhar desatento à varanda do vizinho.
as nuvens passam por cima das suas cabeças, caem pingas e não molham. 
é bonito ver a cidade ao longe. é bonito olhar as luzes das casas alheias. 
estarei eu reflectida nas suas janelas? estarão os meus problemas à vista dos outros, na varanda da minha casa? 
olho para pormenores alheios sem me lembrar dos pormenores da minha casa. nem a conheço como a conhecem as minhas mãos. mas e os meus olhos? será que a conhecem? talvez não. 
vivemos em topos de montanha a admirar e a olhar a casa do outros, quando nem a nossa casa, nem o nosso topo da montanha, são do nosso inteiro conhecimento.

recantos escondidos aos olhos do dono.

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